domingo, 26 de abril de 2015

New York Review #4 – Encontros e Despedidas

Quando estou com muita coisa pra fazer (já não tive muita coisa pra fazer algum dia da vida?), vou arrumar algumas coisas e achei novamente este último post que já estava escrito para falar sobre NYC, com algumas historinhas. Então lá vamos!
  
Em busca do amor?
O francês apaixonado do aeroporto
No La Guardia, enquanto estava indo para North Carolina, encontrei este rapaz de olhos cinza que estava indo para Milwaukee. Muito simpático e dividindo a tomada (que aqui eles não entenderam que tem que haver tomada em todo lugar) do aeroporto, ele me contou que era francês e morava em NY havia 1 ano e meio. O mais interessante é que ele estava indo visitar sua noiva, eles tinham-se conhecido na Austrália quando faziam intercâmbio e começaram a namorar com ele morando em Paris e ela nos EUA, e agora estavam muito felizes porque estavam perto, e ela tinha passado pra faculdade em Washington, e seus olhos chegavam a brilhar quando falou disso, pois agora estarão a apenas algumas horas de distância... e não 10.000 miles apart... Ah, o amor!

Fazendo o bem
O cara do bem de Dubai
Conheci o Mark no spa e ficamos de conversê; aliás, um ótimo lugar para se conhecer pessoas e histórias. Cada um foi pro seu canto e depois, no meio da noite, acordei com alguém entrando no quarto compartilhado. Era um rapaz que eu já tinha visto no lounge e que parecia estar lá esperando alguém. Não, ele estava lá esperando a tempestade passar, mas a tempestade não passou, e o transporte público estava parado na cidade inteira. Mark o viu lá e ouviu sua história, e acabou pagando para o cara ficar no hotel e dormir confortavelmente, e o acompanhou ao quarto. Sim, Mark era rico (estava num quarto comum do hotel, com diária de US$300) e isso não lhe fazia diferença, mas ele não precisava fazer isso. É a tal história do fazer o bem. E se você está pensando que ele tinha outros interesses, eu não sei, até acho que não, mas, mesmo assim, achei digno de nota. E fiquei impressionado. Pena que não o vi no dia seguinte, pra saber mais a respeito do caso, mas sei que o rapaz dormiu feito pedra.

Viajando o mundo em uma semana
O parisiense que passou 1 semana entre Cingapura e New York

Como dessa vez resolvi ficar em um quarto compartilhado, encontrei pessoas do mundo inteiro. Um rapaz com cara de francês (e era francês mesmo), magro e alto, muito bem vestido, que não conversou durante os dias em que esteve lá, decidiu conversar quando estávamos indo embora. Não lembro seu nome agora, mas o fato mais interessante sobre ele foi que morava em Paris e estava viajando havia uma semana, mas sua viagem era uma pseudovolta ao mundo, em uma semana. Isso mesmo: ele foi de Paris para Cingapura, passou 3 dias lá, dando a volta pelo outro lado chegou a NY, onde ficou por mais 4 dias, e agora estava voltando para Paris. Ao ser perguntado por mim (e, segundo ele, por todas as outras pessoas) sobre o porquê de não tentar lugares mais próximos, ele me disse que o mundo era para ser vivido pelos sonhos, e ele sonhava conhecer estes dois lugares, e estava muito feliz com isso. Bem, detalhe: ele estava somente com uma malinha, quase que de bordo... morri de inveja! E olhem que sou do time do pack light, que leva pouca bagagem...

Uma vida feita de sonhos e de realidade
Tee, a garota do Malex
Essa negra tipicamente americana trabalhava no serviço de guarda-malas na Rua 46. Seu nome era mais complicado, mas ela, com um sorriso enorme, disse pra chamá-la pelo apelido, mesmo. Estive lá para obter maiores informações sobre preços e prazos e ficamos conversando por 1h! Falamos sobre tudo: o mundo, as diferenças entre EUA e Brasil, amor e relacionamentos, trabalho, enfim, foi um bate-papo muito gostoso, em que aprendi muito. No outro dia, fui deixar as malas e conversamos por mais meia hora. Foi muito agradável. E por que Tee me deixou uma marca? Justamente por ser uma pessoa normal, que paga suas contas, tem sua vida, procura um amor, ama-se e tem suas questões, mas que sonha com algo melhor para si, e vê sua realidade com muito bons olhos, e disse sempre aprender. Chegamos a lacrimejar enquanto falávamos de nossas vidas, nossas existências, e espero poder revê-la e contar que tudo o que não estava legal mudou, e ouvir o mesmo dela.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

New York Review #3 – Hanging around

Sale, clearance
Estas são as palavras de ordem para se achar barganhas em NYC. Existem os outlets que, neste caso, ficam fora da cidade, onde não fui desta vez. Eu me lembro de os preços não serem assim tão diferentes nas lojas, pois existem tanto as sessões de promoções quanto as lojas especializadas em dar descontos. E o detalhe é que, na maioria das vezes, as coisas em promoção estão mesmo com os preços mais baixos, e você pode até encontrar algo assim no meio das mercadorias. Aliás, a palavra não é liquidação ou promoção, a palavra é atenção, porque você tem que escarafunchar e comparar, e com muita atenção, além de um pouco de sorte também fazer parte do sistema. Sempre que eles têm apenas um ou pouquíssimos produtos, este(s) entra(m) em promoção.

Amazon.com
Primeiro consulte se o seu hotel recebe mercadorias, e aí você pode fazer compras na Amazon, a maior loja virtual do mundo que tem, com o perdão do trocadilho, virtualmente tudo. Por não ter loja física e funcionar através de fornecedores, você pode receber vários pacotes, dependendo do que tenha comprado, mas os prazos são respeitados e os preços muito bons. Existe também a possibilidade de se mandar para um local de coleta deles, mas nem todos os produtos podem ser enviados por este meio. Os preços são muito bons, e você consegue encontrar produtos que não encontra com facilidade nas lojas físicas.

Century 21
O templo dos brasileiros. Eles vendem roupa de design e acessórios, perfumes e make-up, com descontos enormes. Também tem coisa não tão barata pra nós, mas se conseguem ótimos preços. A loja da Cortland Street é maior, porém a que fica próxima ao Lincoln Center é mais vazia.

Duane Read, CVS, Rite Aid
Estas farmácias estão espalhadas por toda parte. Na verdade, vendem coisas além de medicamentos, sendo verdadeiros supermercados. Lembre-se de que não se vende medicamento específico sem prescrição, e até pra aferirem a pressão da gente tem burocracia. Mas você encontra muito bons preços pr'aqueles itens do dia-a-dia, e umas novidades inimagináveis para a sua saúde.

Macy's
Lá estava Mr Wu com duas sacolas grandes e lá veio o vendedor perguntando "Brasileiro?"... É, eles reconhecem a gente pelos volumes, e olhe que nem fiz compras desta vez. A Macy's tem de tudo e se autointitula a maior loja de departamentos do mundo, o que parece ser real. Vendem produtos das melhores marcas e também oferecem bons preços para as coisas médias; não comprei nada pra mim dessa vez, mas eles (acho que ainda oferecem) descontos para brasileiros e estrangeiros em geral, é só procurar o Visitors' Center no andar 1½ e pegar o seu cupom. W 34th Street.

Levi's
Pra gente que adora, e após experimentar direito porque corpo de americano é diferente do nosso, é sempre uma ótima pedida. Não gosto da loja de Times Square, prefiro a da W 34th Street, pertinho da Macy's e da Vicotria's Secrets, pois os atendentes são mais atenciosos e fica menos cheia. Tenho encontrado verdadeiras pechinchas e, como tenho dito, a ordem é escarafunchar. A parte de promoção fica ao fundo, e você tem que procurar seu tamanho (cintura X comprimento das pernas). É a 3ª ou 4ª vez em que, no meio de procurar e procurar, consigo valores baixíssimos (desta vez, US$12) pelos produtos que, via de regra, são os últimos.

H&M
Eles seriam nossa versão da C&A, Renner ou Riachuelo, e a diferença é que existem várias e os preços são bem legais, incluindo, novamente, as promoções das últimas pecas, com coleções bem modernosas. Vale a pena prestar atenção nas modelagens e padrões, que tem moooooooooita coisa de gosto bem duvidoso.

Perfumania
Eu tinha me esquecido deles; procurando por umas coisas mais específicas, deparei-me com esta também na W 34th Street. Especializados em perfume, como diz o nome, estavam com promoções simplesmente fantásticas, dependendo da fragrância que você quiser comprar. E vale lembrar que aqui eles não têm problema em você experimentar tantos perfumes quanto conseguir.

Best Buy
Sempre tem tudo em eletrônicos mais modernos, e o pessoal deles é superprestativo, e até se você não falar inglês (tem um brasileiro na loja da 44th St com a 5th Ave). Tenho que dizer que consegui preços melhores na Amazon ou mesmo em outras lojas físicas, mas sempre vale a pena fazer uma visita e ver como estão os preços.

Metrô
A dica para o metrô é pagar os US$30 do passe de 7 dias, se você vai passar de 3 dias pra frente, dependendo basicamente de como você pretende se locomover pela cidade, incluindo os ônibus, porque aí o seu uso é ilimitado durante este tempo – basta pensar se você pretende fazer mais de 10 trechos, o que sairia por US$25. O metrô te leva para tudo quanto é lugar da cidade, incluindo as conexões com as linhas de ônibus para os aeroportos (se você tiver pouca bagagem, claro), de maneira rápida e barata. Vale lembrar que, se você estiver em grupo, os táxis não costumam aceitar mais de 4 pessoas juntas.

Day-use cell phone
Sempre compro um chip (tenho usado da T-Mobile) quando chego aqui para poder usar o cellular livremente, sem precisar ficar procurando wi-fi. O plano de US$3 por dia permite não-sei-quantos-gigas e conexão 3G, o de US$2 tem conexão 2G e menos gigas. Faço o meu na BestBuy, porque aí já saio de lá falando.

Google & Google Maps
Companheiros inseparáveis – God save Google! Andar em NYC é muito fácil, mas saber qual é a melhor maneira de chegar a qualquer lugar é com o Google Maps, porque lhe dá todas as opções disponíveis, incluindo várias opções de acordo com o meio de transporte escolhido. O Google + ainda oferece sugestões de locais para comer e se divertir por perto de onde você estiver, bem como avisos meteorológicos e outras dicas.

Schwartz Travel Luggage Storage
34 W 46th Street, no 4º andar – cuidado com o povo que passer, dizendo que eles se mudaram, ou você pode perder sua bagagem. Cobram US$10 por volume deixado por dia. A vantagem é quando você tiver que fazer um trecho fora da cidade e o seu hotel não puder guardar sua bagagem. Muita gente também deixa enquanto passa o dia, fazendo stop-over ou pra não ter que ficar carregando peso mesmo; funciona das 8h às 22:45h e os funcionários são excelentes. Tem outra no 357 W 37th Street.

The Metropolitan Museum of Art
Recomendado para quem gosta e não gosta de arte, pois conta a história de muita coisa, inclusive da própria arte, com galerias divididas entre tempos e lugares, e com objetos que vão além da arte pura. Fica em uma das quebradas ao leste do Central Park, perto do Guggenheim e outros, na Museum Mile.

Bryant Park and The Empire State Building


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

New York Review #2 – Traveling
Engraçado como viajar pode funcionar diferente por aqui. Os aeroportos funcionam de modo diferente.
Por todas as questões desde os ataques terroristas, acho que a coisa ficou pior ainda com a segurança. Tem aquele aparelho de raio X que dá uma escaneada na gente... Não, garotos, não precisam se preocupar porque ele não mostra o tamanho de nada, caso você tenha algum problema. Mas o lance é tão preciso, que o protetor solar e a bala que estavam no meu bolso e eu me esqueci de tirar me renderam explicações necessárias. E você tem que tirar o computador, e o sapato, e o casaco, e realmente essa parte me cansa.
Outra coisa é que eles não ficam no lance de chamar a gente lá fora, passar antes se seu voo está partindo, essas coisas. De outra vez, perdemos o voo em Orlando exatamente por causa disso, pois estávamos realocando nossa bagagem, ao lado do balcão, e ninguém nos informou de que o tempo pro check-in (1h, e não meia) já havia passado – recomendo chegar cedo sempre!
Agora o mais engraçado e que eu não sei se me escapou da outra vez é a informalidade. Nestes voos internos que estou fazendo com a Delta, na hora de apresentar os avisos de segurança, as chefes de cabine falam algo do gênero "Eu e minha grande amiga Amy estaremos aqui para servi-los..." Grande amiga? É, eles são assim, acho deveras interessante.
Bagagens de mão serão despachadas no portão, e aí eles levam bagagens enormes como carry-on pra não ter que pagar, porque, yes, você normalmente paga tipo US$25 para cada mala despachada e com até 50 lb (nossos famosos 23kg). E nestes aviões pequenos regionais, é ainda pior, o espaço superpequeno. Não tenho muito problema porque sou daqueles que pack light.

E pra terminar, não fiz desta vez, mas as viagens de trens também requerem que você chegue antes, e como a gente fica meio perdido, às vezes vale a pena fazer o que recomendaram nestes aspectos. Aliás, dependendo da distância que você tiver que ir, o trem é mais interessante do que o aeroporto, principalmente em função da localização da estação, juntamente com questões de preço e bagagem. Acho que vale a pena. 

sábado, 31 de janeiro de 2015


New York Review #1 – Musicals

Fiz reviews sobre vários lugares que conheci, mas nunca da minha querida New York, a cidade fora do Brasil que mais visitei. Há várias coisas pra se dizer, inclusive dos encontros que a cidade proporciona, mas vou começar falando dos musicais, que estão na minha agenda de maratona desta vez, talvez um pouco inspirado no meu amigo Max Corvalán, argentino que conheci aqui ano passado, vendo Kinky Boots e estava fazendo isso, e pra responder a umas coisas que minha amiga Camila Sapori tinha pedido.
Antes de qualquer coisa, recomendo baixar o app da Tkts, porque facilita um pouco ter a ideia destes shows. A Tkts é um órgão do próprio pessoal de teatro daqui, e é onde você pode comprar ingressos mais baratos no dia da apresentação; o desconto varia de 30 a 50%, de verdade. Alguns musicais não entram nesta condição, porque estão cheios sempre, como foi o caso de The Book of Mormon e The Lion King, pros quais comprei ingresso na internet mesmo, ainda no Brasil. Este caso também é válido para quem quer ter certeza de que vai assistir a uma peça em específico, ou quer garantir o lugar na orchestra, por exemplo. Alguns espetáculos têm matiné, e dá pra assistir a dois no mesmo dia, como fiz no domingo e na terça.
Mas vamos lá. Um rápido comentário sobre cada história, na ordem em que assisti, e minha opinião a respeito. Ressalto: MINHA opinião, porque gosto é igual a cotovelo, não é verdade?!

MY BIG GAY ITALIAN WEDDING
Foi o primeiro Off-Broadway a q fui e, sim, é muito diferente. Teatro pequeno, poucos recursos, mas muito talento no palco. A história, que faz conjunto com MY BIG ITALIAN FUNERAL, conta a história de um cara que se casa com outro e as confusões de uma família italiana a respeito do casamento, não porque eles não aceitem sua orientação, mas porque são "um pouco" escandalosos e dramáticos – a questão gay não é o foco, o que acho muito legal e, eu diria, civilizado. Engraçada; recomendo a quem gosta do gênero. Ah, detalhe importante: ao fim da peça, o casal vem cumprimentar o público na saída, como se fossem os convidados da festa indo embora, e o noivo italiano me apresentou ao outro como sendo seu primo de longe, kkk... Nota 8.

LES MISÉRABILES (LES MIZ)
Para quem assistiu ao filme, é melhor ainda, claro. A história da revolução contada de uma maneira muito bem feita; na verdade, poucas vezes vi tanta conexão entre livro, filme e musical. Na verdade, não estava nos planos iniciais, mas estava com meus amigos Hanns e João, que queria realmente vê-la, e tinha preço legal na matiné. Dramático, claro; recomendo a todos. Nota 9.

THE LION KING
Duas pessoas acostumadas a musicais e peças, e de muito bom gosto, disseram que não gostaram. Fiquei intrigado, pois é um enorme sucesso, tanto que ano passado não consegui assistir e dessa vez comprei no Brasil para garantir, ainda que tenha pago US$99 e ficado encarapitado lá na última fila do mezanino. Gente, é simplesmente lindo, maravilhoso... mas acredito que você tenha que ter-se emocionado com o filme também pra sentir dessa forma. Um cenário lúdico que talvez nem fosse compreensível, mas é. Doses de bom humor (incluindo o Hakuna Matata misturado com o Let It Go de Frozen) e muita cor, coisa estilo Disney mesmo. A história é a que se sabe, da ascensão de Simba ao trono de rei dos animais, após a morte do seu pai, e diante das armações do seu tio Scar. Timão e Pumba presentes! Recomendo, para quem gosta de fantasia, desenhos e cores; chorei o tempo todo, linda! Nota 10.

KINKY BOOTS
Vim pra NYC pra assistir a essa peça de novo, basicamente. Tocou-me da outra vez, comprei o CD e sei as letras todas praticamente de cor – as pessoas ao meu lado até me perguntaram quantas vezes eu tinha visto e se surpreendiam quando eu dizia que era a segunda. A história se passa no interior da Inglaterra, e o herdeiro de uma fábrica falida de sapatos tem a ideia de achar um nicho de mercado com sapatos para drag queens. A peça é fantástica, o roteiro, o figurino, tudo, incluindo a mistura de drama e comédia, é atraente, quanto mais da 3ª fila, vendo os superperdigotos do Charlie voando enquanto cantava (talvez tenha cuspido, sim, no povo da 1ª fila, kkk). Lola é simplesmente fantástica. Salvo engano, melhor musical de 2013. Recomendo, nota 10, para todos os públicos. Dá pra ser nota 11??? Vou ver a 3ª vez, se der tempo.

THE BOOK OF MORMON
Musical do ano de 2014, até achei que não gostaria, inclusive no começo, mas é interessantíssima. No começo achei meio americana demais, mesmo, só que a história é tão bem contada que passa disso, por mais estereotípica que seja. Fala sobre mórmãos que vão evangelizar na África. Extremamente crítica, mas muito engraçada. Nota 10. Recomendo a quem não enfrente questões religiosas, com a sua ou com a dos outros.

HEDWIG AND THE ANGRY INCH
Não gostei. Não gosto de rock. A história que ela conta é boa, em si, mas é num esquema de "conto minha história enquanto em canto umas musiquinhas pra você". Acho que essa opinião é muito minha, pois foi altamente recomendada. O público estava overexcited, e não fui a peça alguma por aqui em que as pessoas estivessem fazendo tanto barulho, pro bem ou pro mal. Tinha até grades lá fora para a saída do ator principal (que nem quando vi Evita, com o Ricky Martin). Valeu por ser um musical, mas eu devia ter ido pro mezanino e gastado muito menos, ainda que  no Tkts, ou nem devia ter ido mesmo. Nota 5; não recomendo, mas quem gosta de rock ou conhece a história e é apaixonado por ela deve gostar, porque o público era muito esse.

Enfim, este breve (???) texto é sobre estes musicais, na humilde opinião de Mr Wu. Depois falo mais sobre outras coisas legais pra fazer por aqui.

Ósculos e amplexos!

domingo, 5 de outubro de 2014

Dica de português #6: Simples assim...


Homem diz OBRIGADO, mulher diz OBRIGADA; se há mais de uma pessoa agradecendo, OBRIGADOS ou OBRIGADAS... Li muitas coisas dizendo sobre a última parte, que não precisa pluralizar, mas é o que diz (dizia?) a norma culta, e acho mais lindo quando minhas alunas terminam uma apresentação com OBRIGADAS! 
Ah, e o uso do MUITO antes não influencia em nada, porque o advérbio não vai variar mesmo... só serve para intensificar: MUITO OBRIGADO, MUITO OBRIGADA, MUITO OBRIGADOS, MUITO OBRIGADAS...

Então, THANK YOU VERY MUCH, MUCHAS GRACIAS, GRAZZIE MILLE, MERCI BEAUCOUP, DANKE SCHÖN, VA MULTUMESC FOARTE MULT...

domingo, 14 de setembro de 2014

Dica de português #5: "Pérolas paroquiais"

Repostagem do blogue da professora Dad Squarisi, para o Correio Braziliense: simplesmente fantástico!


“Santa inocência, ingenuidade ou criatividade?”, pergunta Elimar Nascimento & cia religiosa. Frequentador da paróquia do bairro, ele anota avisos destinados aos fiéis. Volta e meia leva sustos. Às vezes, morre de rir. Outras, recorre à bola de cristal para adivinhar a mensagem. A razão: os textos são escritos com boa vontade e má redação. A boa vontade ninguém discute. Padres e paroquianos só querem fazer o bem.

Mas, como diz o povo sabido, “de boas intenções o inferno está assim, ó, pululando de moradores”. A redação joga em outro time. A gente pode criticá-la. E, sobretudo, melhorá-la. Quer ver? Eis alguns recadinhos expostos em murais. Primeiro, na versão original. Depois, na retocada. (O assunto já mereceu uma coluna. Volta, a pedido, ao cartaz.)

***

Para todos os que tenham filhos e não o saibam, temos na paróquia uma área especial para crianças.
(Avisamos aos pais que a paróquia dispõe de área especial para crianças.)

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Quinta feira, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. As senhoras que desejem formar parte das mães devem dirigir-se ao escritório do pároco.
(Quinta-feira, às 5h da tarde, haverá reunião do grupo de mães no escritório do pároco.)

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Na sexta feira, às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra Hamlet , de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nessa tragédia.
(Na sexta-feira, às 7h, os meninos do Oratório representarão a tragédia Hamlet, de Shakespeare. Venha prestigiar a talentosa garotada.)

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Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa. Tragam seus maridos.
(Senhoras e senhores, não esqueçam a próxima venda beneficente. É boa ocasião pra se livrar das coisas inúteis que entulham sua casa.)

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Coro dos maiores de 60 anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.
(Coro dos maiores de 60 anos será suspenso durante o verão. Os paroquianos agradecem a alegria que proporcionou e esperam ansiosos o retorno das apresentações.)

***

Lembrem em suas orações todos os desesperados e cansados da nossa paróquia.
(Lembrem, em suas orações, os desesperados e cansados
paroquianos.)

***

O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.
(O mês de novembro será finalizado com uma missa cantada em louvor dos paroquianos que partiram na frente.)

***

Por favor, coloquem suas esmolas no envelope junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados.
(Por favor, coloquem as esmolas no envelope. Escrevam o nome dos mortos a serem lembrados.)

***

Quer mais? Eis três que dispensam comentários:
Venham nos aplaudir. Vamos derrotar o Cristo Rei.
O preço do curso sobre oração e jejum inclui as comidas.
Lembrem-se que quinta-feira começará a catequese para meninos e meninas de ambos sexos. 


sábado, 9 de agosto de 2014

Posts sobre português agora aqui no NONSENSE

#4. Seguindo o que já fazia anos atrás aqui no NONSENSE, e impulsionado por minha amiga Debbie, resolvi postar estas dicas (e aí entrarão outros tipos também) aqui no blog, pois fica mais fácil de encontrá-las. Portanto, após ter repostado as dicas anteriores desta temporada, segue uma dica tamanho gigante de português: o tal do MESMO.

Gente, usar O MESMO e flexões, na norma culta, não tem lugar. Os pronomes existem para fazer o que muita gente adora: usar O MESMO, achando que é chique! “Eu estava na casa de Worney e O MESMO me ofereceu champanha” (aportuguesado é assim mesmo). Então, eu gostaria de saber quem é esse tal de MESMO que oferecia coisas na minha casa!!! Ora, já que podia usar ELE, por que usar O MESMO, não é verdade? “Eu estava na casa de Worney e ELE me ofereceu champanha.”
Em SP, há uma lei que obriga o uso da placa que está abaixo nos elevadores... Entendo que ela seria grafada mais adequadamente assim: “Antes de entrar, verifique se o elevador encontra-se parado no andar.” Viram que nem ELE e nem O MESMO fizeram falta? Toda vez que entro em um elevador por lá, pergunto logo, “MESMO, você está aí?”, porque, pra mim, é uma entidade!



Agora, se quiserem usar o tal do MESMO para reforçar, conforme itálico acima, a coisa muda de figura. “Eu danço até o chão MESMO, disse a bailarina.” Ou então, podemos usá-lo em vários outros sentidos... Para saber mais, acho interessante consultar o “pai dos inteligentes”- tenho preferido o Aulete: http://www.aulete.com.br/mesmo.

Aliás, como estou MESMO com sede, acho que vou tomar uma taça de champanha. Champanha MESMO, Veuve Cliquot, aquele vinho espumante francês, e não sidra Cereser!!! 

Repost: Dicas de Português #1, 2 e 3

#1. Dica de português do dia: apesar de parecidas, as expressões DE ENCONTRO A e AO ENCONTRO DE são diametralmente opostas. Se suas ideias vão DE ENCONTRO ÀS ideias de seu marido, talvez vocês precisem conversar sobre elas, pois têm posições contrárias, de embate; agora, se suas ideias vão AO ENCONTRO DAS ideias de sua esposa, acho que podemos entender que o casal vai bem, obrigado, pois suas ideias estão no mesmo caminho! 

#2. Dica de português do dia: Só Raulzito nasceu "há 10 mil anos atrás", porque ou você nasceu "há 30 anos" ou tal fato aconteceu "30 anos atrás". Tanto HÁ quanto ATRÁS demonstram a mesma ideia, de anterioridade; usar os dois ao mesmo tempo é quase a mesma coisa que subir pra cima e descer pra baixo... Portanto, "eu escrevi este texto há um minuto" ou "eu o escrevi um minuto atrás". E você, o que estava fazendo "há cinco minutos" ou "cinco minutos atrás"? 

#3. Mais dicas de português com o tal do verbo HAVER: No sentido de EXISTIR, o verbo HAVER é invariável quanto ao número, ou seja, independentemente de quantas pessoas HOUVER (e não HOUVEREM), o verbo permanece no singular. Por exemplo: HÁ uma pessoa no quarto, enquanto HÁ duas pessoas na sala. HOUVE várias pessoas na fila hoje, e HAVERÁ muitas outras amanhã.
Se formos, então, pensar no verbo HAVER fora da acepção de EXISTIR, ele será variável, como a maioria. Exemplos: Eles HAVIAM dito isso diante do que nós HAVÍAMOS feito. Eles HOUVERAM por bem trazer as moças que HAVIAM sido acidentadas.

Tenho lido alguns gramáticos sustentarem que o verbo TER, quando usado na acepção de EXISTIR, também não varia. TINHA várias pessoas na festa. Mas, como este uso é mais informal, aplicar a regra da norma culta fica um pouco sem lugar... ou não! Tem muita gente aí?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Reseña Chilena

Normalmente, gosto de fazer uma pequena (?) resenha sobre minhas viagens, primeiro, porque facilita de eu não ter que contar tudo o tempo todo pra todo mundo, e segundo, porque pode servir aos outros viajantes e àqueles que querem poder-se aventurar em viagens, o que acho digno e justo.
Antes de tudo, quero fazer um desabafo. As pessoas, principalmente as que não estão muito acostumadas  a viajar, não têm ideia do trabalho que dá trazer coisas, principalmente de fora do país, pior ainda na América do Sul com 23 kg de bagagem despachada. Sei que vários dos pedidos, como da maioria dos meus queridos alunos, são de brincadeira ou de se-colar-colou, mas, infelizmente pra uns e felizmente pra mim, as viagens são minhas, e se for pra trazer algo, tem que haver uma justificativa muito grande. Desculpem, mas acho o fim o povo que nem tem nada a ver comigo ficar me pedindo coisas, como se eu tivesse obrigação. E tem mais: nem encomendas, muito menos presentes! O dinheiro que junto é pra meu gasto, não sou Papai Noel!
Bem, agora já devidamente desabafado, vamos a Santiago de Chile.
Pois bem. Esta ida aconteceu meio que por acaso, nas ofertas de última hora, e é aí que vocês conseguem bons preços (Cadastrem-se no www.melhoresdestinos.com.br e recebam boletins diários com preços de passagens baixas; é assim que Mr Wu viaja tanto...), pois dá pra ir pra lá pelo mesmo preço que as viagens tão adoradas pra Porto Seguro e afins, sob as mesmas condições. Hospedagem barata, ficamos em um flat com serviços, no bairro de Providencia, recomendado por ser mais silencioso que o Centro e ter ótimos restaurantes. Ficamos ao lado do metrô, outra dica de sempre pras cidades grandes e desconhecidas; táxi tem um preço até bom. A cidade é tranquila, mas não achei essa Coca-Cola toda, não. Fiquei-me lembrando de várias coisas de Buenos Aires, me disseram que Montevideo é melhor – qualquer hora, vou saber. Ah, e volto a SCL, sim, apesar dos pesares, me gustó mucho.
Comecemos a falar do povo. No meu penúltimo dia lá aconteceu algo incrível. Fui ao Parque Arauco Mall, um shopping chiquetésimo, mas longe inclusive do metrô. Na volta, cansado, decidi usar o ônibus e, qual não foi a minha surpresa quando, ao entrar, vi que não havia trocador, nem o motorista recebia dinheiro, somente o cartão de transporte, que eu, evidentemente, não tinha. Agradeci ao simpático motorista e desci, quando ele me chamou de volta, perguntou de onde eu era e falou para que eu ficasse no ônibus e só me preocupasse em comprar o tíquete pro metrô. Agradeci prontamente e vim até a estação para a qual eu me dirigia, conversando com ele sobre uma série de coisas. Nem perguntei seu nome, mas agradeci mil vezes a gentileza, e acho que ele pode não ter ganhado nada com isso, mas fez algo de que nunca vou-me esquecer, por mais simples que tenha sido. E me parece que os chilenos podem ser assim generosos mesmo. Saindo da Chascona, a casa do poeta Pablo Neruda, estava com o mapa na mão, e um rapaz, que saía de casa, ficou olhando, e perguntou o que eu estava procurando; disse-lhe que procurava algo que por ventura houvesse ali perto e que eu não tinha visto, ele me disse que por ali havia muito a fazer e, como não era nada específico e eu tinha visto a Chascona e o Cerro, que rodasse o bairro, pois valia a pena – muito simpático também.
Então, tempos de Copa, real em baixa por lá (“La ciudad está llena de brasileños, estamos comprando muchos reales.” – justificou-se o moço da casa de câmbio...), assistimos ao 0x0 do Brasil só pela metade, bem como a vitória do Chile também – eram dias de excursão. Achei engraçado que, terminado o primeiro tempo, todo mundo continuou a vida; também o “Chi-Chi-Chi, Le-Le-Le, Viva Chile!” cantado em todos os lugares no país cujo esporte nacional é o rodeio.
Outra coisa engraçada foi eu ir ao Centro ao sábado, por volta das 9h da manhã, e tudo estar fechado (exceto um banco, achei, no mínimo, peculiar). Eles preferem abrir às 11h e fechar mais tarde, foi o que me disse o atendente do Museu Precolombino, que vale a pena visitar, pois traz muito do nosso passado também, com uma parte interativa em que todos viramos crianças, jajaja...
Por perto de Santiago, fomos ao Valle Nevado e a Farellones, parte da Cordillera, onde fizemos o famoso Tubing, conhecido no Brasil como skibunda, em que descemos uma pista gelada sentados em bóias; muito divertido. Encontramos com a Bia (acho digno viajar com crianças, mas você mesma é tão jovem...), que estava com a fofa da Bel e o gente-boníssima do Arthur (Tu, o tio ficou seu fã!).
Com o engraçadíssimo Gustavo, nosso motorista naquele dia (também recomendo contratar um pacote pro dia quando se quiser algo mais prático), visitamos Valparaiso e Viña del Mar, algo que precisa ser feito, mas que também não achei essa coisa toda. No caminho, fizemos uma degustação de queijos e vinhos na Viña Emiliana, que produz orgânicos – aprendemos a diferença entre uma planta orgânica e uma largada com o Gabriel, guia da vinha. Aprendemos também um pouco sobre o processo produtivo dos vinhos e o povo fez algumas compras – eu não fiz nenhuma, fico com as fotos e as lembranças.
Santiago tem cachorros por todos os lados, sejam nas coleiras, sejam soltos pelas ruas. E tem grades pra gente não atravessar fora da faixa também – tive que andar uns 3 ou 4 quarteirões extras por causa disso. Aliás, o sinal de trânsito em algumas esquinas foi algo à parte, vocês devem ter visto no Face ou no Instagram – aquele homenzinho correndo é impagável.
O peso chileno está valendo algo como 1.000  para cada 4 reais, o que faz você se sentir rico com aquele monte de zero, mas pobre quando você tira os zeros e multiplica por 4, pois os preços por lá estão bons como os do Rio, ou seja, surreais!
Atendimento da Lan, na ida, e da Tam, na volta, foram bons, nada de mais ou de menos, mas certamente melhores que os da Gol. Destaque para a programação da TAM com filmes antigos, e acabei assistindo a “Some Like It Hot” (Quanto mais quente, melhor), com a Marilyn Monroe, que só mostra como ela era linda e como foi uma pena ter morrido – recomendo altamente este filme, em preto e branco mesmo. Ainda nos ares, os aeroportos do Brasil não ficaram mesmo prontos e todos sabem disso, mas achei uma verdadeira bagunça o Comodoro Arturo Merlino – não me sai da cabeça uma senhora que quase acompanha sua irmã até o controle de passaporte, coisa que nunca vi em lugar algum. Fila longa e demorada, falta de informatização, mas tudo tem seu lado bom: apesar dos 23 kg, podemos trazer líquidos, e os vinhos vêm na bagagem de mão de quem quer mesmo. Preços no Free Shop de lá melhores do que os daqui, e ofertas bastante variadas.
Falando em vinhos, fomos a excelentes restaurantes, e estavam em uma promoção do estilo “Compre 1, leve 1”, com o detalhe de que tinha mesmo que levar pra casa a segunda garrafa, pois se fosse beber no próprio restaurante, rolha de 4 mil pesos, jajaja...
Para terminar, dois outros pontos interessantes. O Parque de Esculturas, que mostra como o povo se relaciona com a arte, e também há várias delas por toda a cidade, e o Cerro San Cristóbal, de onde se pode ver a cidade toda e os Andes, e que tem a linda estátua da Imaculada Conceição abençoando Santiago – vale a pena subir, pode ser de funicular mesmo (com placas em português macarrônico).

Enfim, foi uma viagem muito boa, que recomendo, principalmente se você tiver amigos maravilhosos como os meus (Lucas y Vitor, ¡gracias!), que deixam tudo mais divertido e organizado, jajaja, deixando Mr Wu em férias de verdade.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

In Rio

Eu sempre falo que tenho uma relação cármica, de paixão com o Rio de Janeiro. É uma coisa muito engraçada. Em 1999, quando lá estive (de verdade) pela primeira vez, nossa, era um temor. Fui passear, visitar amigos (que nunca mais vi, diga-se de passagem), enfim, minha mãe ficou aqui sem saber o que eu tava indo fazer naquele lugar em que matavam um em cada esquina... Era isso o que todo mundo pensava e, porque não dizer, eu também. Mas lá fui, na cara e na coragem, porque precisava ir, algo me chamava ali. E dali em diante começou minha história de amor com esta cidade, realmente maravilhosa, por mais cliché que a expressão se tenha tornado.

São Sebastião Lembrança Aérea / São Sebastião Local Agreste / Seu Lugar Amado / Seu Lugar Adorado

Nestes 13 anos que me separam da primeira visita ao Rio (antes tinha sido só conexão no Galeão), voltei lá algumas vezes, umas 7 vezes eu acho, e tive alguns dos melhores momentos de minha vida por lá. Não, não é um lugar pra eu morar, não gosto do caos, não gosto da confusão, não gosto da informalidade generalizada, não gosto de uma série de coisas, mas sei que amo, e você, caro NONSENSEr, deve saber que quando a gente ama, não há razões para isso, a gente simplesmente ama.

Rio 40 graus / Cidade maravilha / Purgatório da beleza e do caos / O Rio é uma cidade de cidades misturadas / O Rio é uma cidade de cidades camufladas

Talvez porque o Rio tenha algum mistério, vai saber. Vai que eu já morei lá, né. Dia desses, no Centro Velho de São Paulo, eu me saí com a seguinte pérola (que falei pra mim mesmo): "Ando umas 4 quadras e chego à praia". Aí eu me lembrei: "Tô em Sampa!" É algo maior, que até me tira do prumo.

Lá de cima se via o Cristo / Braços abertos sobre a minha cabeça / A me proteger / A me guiar

Sempre marco a poltrona pra uma coisa superemocionante: ver o Cristo. Descer no Santos Dumont é uma verdadeira ode, a gente acha que vai pousar na água; sair de lá tem a mesma magia, e falamos tchau pro Pão de Açúcar, e vamos ruminando como é bom... Impressionante! E olhem que não sou de me impressionar, mas sempre "verto sorrateiras ou copiosas lágrimas" ao olhar pra tudo aquilo. É um desbunde, é um deleite, é uma delícia.

Non senseMinha alma canta

Vejo o Rio de Janeiro

Estou morrendo de saudades…

Cristo Redentor

Braços abertos sobre a Guanabara…

Este samba é só porque

Rio, eu gosto de você…

Sempre inspiradora, a cada momento me saio com uma música, cantarolando sem receios e sem controle. Porque odes à cidade são abundantes, e também porque o Rio faz parte de nossa memória afetiva, até pra quem nunca foi, até pra quem não gosta.

E houve uma coisa positivamente diferente dessa vez: viajei com minhas amigas Bárbara, Lígia e Rachel, e foi ótimo ter tão deliciosas companhias. Encontrar com meus queridos Vítor, Thalles e Caju já estava no cardápio pelo qual eu já ansiava antes de ir, mas como essa cidade é mesmo mágica, encontrar, mais uma vez por acaso, Catarina, nossa, é mesmo muito bom.

São Pedro, pra variar comigo no Rio, não deu trégua. E olhem que eu tinha dito que entraria no mar, ando precisando descarregar com sal grosso, e pra que mais descarrego do que o próprio mar? Mas não deu jeito. Só que o Rio consegue ser ode com chuva também, uma delícia.

Dessa vez, teve espumante na Atlântica, comidinhas deliciosas, café da manhã num local com história, balé na porta do Municipal, passeio ao Corcovado (que ainda faltava no meu portfólio) e, até Ele que adora ficar no meio das nuvens quando estou lá, estava límpido, e o tempo afável, soprando forte os nossos cabelos. Teve filminho, teve Cabaret (com a deliciosa da Cláudia Raia em uma atuação competentíssima), teve boa conversa, teve a reflexão que o Rio sempre me proporciona. Teve 9:30h seguidas de sono, coisa que não fazia havia tempos, e pra quem me condenar por "estar no Rio e ir dormir", bem, este corpinho precisa descansar também, que não sou de ferro e não estou tão novo nem tão bonito pra dar conta de tanta coisa. O Rio também me traz lembranças muito boas, coisas que não sei se e quando poderei reviver.

Devo voltar ainda este ano, pra ver a Tia (ainda nem comprei ingresso, dá pra crer?), mas deve ser rapidinho. Espero que, dessa vez, Ele contribua e o sol brilhe sobre a Baía de Guanabara, para meu deleite. Se não brilhar, não tem problema: O Rio de Janeiro continualymdo!

["Vida: não é suficiente viver; preciso de ar fresco e liberdade!"]