terça-feira, 23 de julho de 2019

Autopreconceito?



Obrigado às/aos amigas/os que deram sugestões de pauta, ooops, reflexões para minhas tergiversações. Acabei pegando um item que se complementa ao anterior, sugestão de um querido amigo que não mora no Brasil e que, inclusive por isso, tem uma visão muito interessante sobre alguns assuntos de nosso cotidiano. Ele me sugeriu falar sobre preconceito e discriminação dentro dos próprios grupos já discriminados, neste caso, os LGBTQIA+, mais especificamente os gueis.

Acho que, pra começar, é interessante lembrar que os preconceitos existentes fora dos grupos muito comumente se repetem dentro deles, pois os comportamentos são, muitas das vezes, não pensados.

O chamado "meio gay" costuma ser muito discriminatório. Seja você gordo, feio, pobre, com trejeitos femininos, mal vestido (para estes determinados padrões) pra ver. Se "morar mal", então, é muito mais complicado. A ditadura da beleza parece sobrepor-se de modo que ou você faz parte e é uma barbie (preconceituosamente generalizando), com um corpo supersarado, com grifes saindo pelos olhos e ouvindo música eletrônica (se vier com drogas junto, melhor ainda), ou você simplesmente não faz parte, é a poc-poc, a pão-com-ovo...

Aí tem o outro lado, daqueles que sempre procuram alguém que seja "ativo, discreto e fora do meio", ou que se passam por donos dessa característica pra conseguirem alguém. Acho esse jargão o mais interessante representante do preconceito existente, porque traz todos os medos contidos: ser passivo, "dar pinta" e fazer parte do gueto em que muitos se encontram. Pior do que ser gay (e, pfvr, solicito o modo de ironia ligado durante todo o texto!) é parecer gay. O sujeito é minuciosamente investigado durante todo o tempo para que não se pareça gay, ou melhor, bicha, viado, feminino, efeminado/afeminado, baitola e toda sorte de nomes pejorativos (ou não) que lhe são imputados. Quer ofender um homem? Xingue sua mãe ou diga que ele é gay...

Ah, pode ser gay, mas não precisa mostrar pra todo mundo. Ah, eu respeito, mas não precisa ficar se agarrando na minha frente (lembrei do episódio do taxista contando pra Samanta Schmutz, todo orgulhoso, que bateu num casal gay). Ah, o cara até pode ser gay, mas não precisa ficar desmunhecando. E não precisa ficar contando pra todo mundo... Gente, as pessoas são o que são e como são. Precisam ser respeitadas por serem pessoas. Aí, dentro do próprio meio, que já sofre tanto preconceito em cada ato, ainda há os que discriminam seus pares.

Existe um quadro famoso do Paulo Gustavo cujo mote é "Aqui no nosso grupo, você é a mais afeminada!". Ele faz graça com a desgraça, exatamente apontando o que ela tenha de pior. Aliás, muitos gays fazem graça com a própria desgraça o tempo todo, até pra dar conta. E não venha me dizer que todo gay é engraçado, ou que todo gordo também o é: o que acontece, muitas das vezes, é que esta seja a maneira que a pessoa encontra para tirar de si a atenção negativa que uma tal característica represente. Eu sou o primeiro a contar piada de preto (Olhaê o próprio negro se discriminando, ó!), justamente para não ter que ficar fulo da vida com você que fez isso "sem sentir".

E isso vai até no próprio sexo em si. Vocês já pararam pra pensar sobre como o intercurso sexual rebaixa o outro, em muitos casos? O tal do "vale tudo entre quatro paredes", se é que é real, perde a sua essência quando o seu prazer é com o desprazer real do outro. Sexo é para os dois (ou três, ou quatro, enfim) terem prazer. Sexo é para se dar e oferecer prazer, reciprocamente. Se só você está tendo prazer, tem algo errado aí.
E, pra terminar, quero falar da frase que era pra ser título, mas que acabei deixando como um dos temas, apenas: o problema é a mulher! (Solicito novamente o modo de ironia ligado!) É óbvio que, até no meio em que se deveriam respeitar mais ainda as individualidades, para se ter força, o feminino, a mulher e o que se lhe aparenta são discriminados. O gay passivo é discriminado porque é quem se oferece ao outro; o gay pintoso é discriminado porque se parece com mulher; o gay "do meio" não posa de machão e por isso pode fazer com que todos ao seu redor sejam expulsos do armário, lugar muito confortável (ou não).

As meninas que fazem programa (e que têm pipiu, ainda que meninas) confirmam: 90% dos homens que pagam por sexo com elas querem é ser passivos. E são casados. E são pais de família (aquela família tradicional do post anterior). E tem até os que fantasiam que elas são mulheres com pênis. No Brasil, país que mais mata LGBTQIA+ no munod.
Pois bem, não consigo ser tão conciso. Tem sempre muito a ser falado. Os gays discriminam as lésbicas que discriminam os gays que discriminam os bissexuais dizendo que eles não têm coragem de se assumir. Nesse arco-íris sexual e de gênero, alguém lá pode discriminar alguém? Alguém tem direito de não olhar para o próprio umbigo antes de falar do outro? Mas ser masculino, bem dotado (ah, o mito fálico), ativo exclusivo faz o sujeito achar que pode, reproduzindo tudo o que acontece lá fora, fazendo com que até quem deveria estar junto se afaste.

Mais uma vez conclamo: bora olhar pro nosso próprio pé antes de julgar o pé do outro?

domingo, 21 de julho de 2019

Preconceito, mimimi e representatividade (textão!)




"Resumiria o racismo brasileiro como difuso, sutil, evasivo, camuflado, silenciado em suas expressões e manifestações, porém eficiente em seus objetivos, e algumas pessoas talvez suponham que seja mais sofisticado e inteligente do que o de outros povos." (MUNANGA, 2017)
Você tem preconceito! Eu tenho preconceito! Nós temos preconceito! Isso faz parte quase que da nossa natureza, pois nos utilizamos de um conceito prévio para nos acomodarmos, principalmente ao novo. O problema não é, de forma alguma, o conceito anterior que se tem sobre algo, mas, sim, a generalização, na maioria das vezes superficialmente feita, acerca de algo ou alguém, inclusive o chamado racismo estrutural e a perpetuação deste conceito como se certo (e único) fosse.

Sou negro e, nem que eu quisesse, isso deixaria de fazer parte da minha visão de mundo. No entanto, não parto do ponto de vista subjetivo para isso: só não vê quem não quer. O Brasil, todo cheio de miscigenação (e tem muita literatura sobre isso pra quem estiver a fim; só recomendo ler com crítica, item que anda em falta ultimamente – sim, estou sendo preconceituoso), acaba disfarçando muitas das suas mazelas, jogando para debaixo do tapete, culpando as vítimas, o que é típico da sociedade hipócrita de que fazemos parte. O mito da democracia racial brasileira auxilia muito nisso.

Sempre peço que se observem os fatos. Olhe ao seu redor, e veja o ambiente em que você está. Em que condições os negros [e nordestinos e "da roça" e pobres e até "feios"] estão? Que lugares ocupam e em que papéis atuam? Será que não há, mesmo, nada de diferente nesta pequena observação? A não ser que você esteja em um oásis [e, sim, (in)felizmente, eles existem], as posições tidas como subalternas são as normalmente relegadas aos que não fazem parte do establishment. Até Jesus tem olho azul, porque isso é que é o bonito, eurocêntrico – logo Ele, que nasceu no Oriente Médio...

Dizer que alguém faz baianada quando quer dizer que esta pessoa fez algo errado no trânsito é preconceito. Achar que você é melhor que a colega de trabalho porque você é mais magra também é preconceito (isso vale pr'aquela que leva a amiga "feia" junto na balada só pra se sentir menos mal). Pensar que você deve ser mais bem tratado do que o outro porque você tem dinheiro é preconceito. Tratar quem não é das grandes metrópoles como "o povo do interiorrrrr" (veja o tom pejorativo) é preconceito; se for "minerin" então, vish maria!

E aí tem mais. Os termos diversidade e representatividade têm feito, cada vez mais, parte do nosso dia a dia. Você se sente representado pelas pessoas em quem votou e pelo que eles têm feito? Pense nisso. Quando você, lésbica, vai ao ginecologista, ele, de fato, considera essa sua condição para oferecer o melhor atendimento possível a sua realidade? Aos universitários, quantos professores negros vocês têm? Por quantos médicos negros você já foi atendida na vida? Quantos advogados negros já defenderam você? Vi pesquisa recente falando sobre a dificuldade de psicólogxs não negrxs compreenderem o que é o racismo estrutural, exatamente por falta dessa empatia de que estou falando.

Adoro novela. E estou acompanhando a das 19h, que se passa em 1993, tempo em que o famoso "Você sabe com quem está falando?" ainda imperava, e os sobrenomes eram declinados em busca de se dizer do que era bom e certo, "de bom tom", pra dizer quem mandava. Anos 1990? Será que mudou muito? Você ainda fica horas esperando na antessala do médico porque o tempo dele é mais importante do que o seu, e ai de você se disser que acha isso absurdo: "O doutor (adoro essa palavra, das mais mal usadas na vida) tem uma rotina muito corrida, aí, ele marca por ordem de chegada pra não perder tempo!", mas eu posso perder o meu tempo, né, o meu é menos importante do que o dele. Humpf!

De certa feita, fui questionado sobre o porquê de estar comemorando a presença da Maju na bancada do JN, pelo fato de ela ser negra. A fala foi "tem que ser pela competência!". Gente, por favor, não me venham falar em meritocracia se não tivermos oportunidades iguais, é simples assim. Se, sob as MESMAS condições, alguém de nós tiver melhor desempenho, podemos falar sobre o assunto. Caso contrário, favor rever centenas de anos para fazer um julgamento do tipo. Você achar que seu cabelo é ruim (favor ler errado: rúim, e não ruím) porque não vê cabelo de outro jeito; você achar que sua pele é errada porque nem tem hidrocor pra poder representar você; você só se reconhecer no que é socialmente rebaixado; será que isso representa igualdade de condições? A Maju foi chamada de macaca; a Helena feita pela Thaís Araújo fez muito nariz se torcer quando ela flanava de helicóptero pelo Rio; e dizem que a cantora Halle Bailey não pode fazer a Ariel, de A Pequena Sereia. Será que a concepção de gente não é diferenciada? Será que isso não afeta em nada a autoestima (oi?) de muita gente por aí? Inclusive daquela que me disse, muito complacentemente, que eu não era negro, que eu era moreno, como se isso fosse um xingamento. Falar de preto então... Imagina pensar na princesa negra da Disney (Tiana e Sadé presentes) – por que será que muita menina negra nunca pensaria que poderia vir a ser uma princesa? É porque ela vê muitos exemplos, sabe...

Mas a coisa não termina por aí. Kit desconforto, como bem definiu uma amiga. E se for LGBTQIA+? Piorou! Chamadxs de aberração, pouca vergonha ou algo que o valha, são alijadxs dos direitos em nome da família, a família tradicional, aquela, hipocritamente construída, de fachada, para manter a moral e os bons costumes, e com toda a poeira debaixo do tapete. Falar de sexo não pode, como se ninguém fizesse, mas falar de violência pode. Ah, por favor, venhamos e convenhamos: ver religiosos, que supostamente pregam o valor da vida, fazendo arminha com a mão me passa um pouco demais dos limites. E tem mais, até ouvi de alguém dia desses que preferia que as crianças ficassem nas instituições de acolhimento em vez de serem adotadas por casais gays, porque ficariam com a conduta "desviada". Eu fico tentando pensar o que seria uma conduta ilibada diante de tanto preconceito... Fico pensando se a Marielle Franco não fosse negra e lésbica...

E aí tem o mimimi, termo usado para diminuir e degradar qualquer questão que saia da sua zona de conforto, daquilo que você acha que está certo, não levando em consideração as pessoas ao seu redor e a importância que tais questões possam ter para elas. Vitimismo e mimimi, sempre utilizados para encerrar uma conversa para a qual não se tem argumento de se colocar em um lugar de empatia, de compreender o as questões do outro. É muito mais fácil encerrar a conversa assim, mesmo, porque quando o argumento acaba...

O feminismo, a partir da compreensão correta de uma luta por igualdade, sendo criticado erroneamente porque o status quo está sendo abalado. A luta por direitos sendo desqualificada e a verdadeira massa de manobra sem prestar atenção ao fato de que está lutando contra si própria. A assistência sendo caracterizada como assistencialismo (não estou dizendo que não haja) para se justificarem mazelas outras. A ignorância e cabeça-durice tomando conta. A superficialidade considerada como se profunda fosse. O achismo e a teocracia tomando conta: o que o aiatolá diz, independentemente do tamanho da bobagem, seus asseclas estão lá, prontos a defender, sem sequer pensarem a respeito. Está meio assim. Está muito assim...

O pior é que, nestes tempos de exceção, a própria exceção é colocada como regra. Julga-se um grupo de um milhão pelo comportamento de um, que desagrada aos cândidos e inocentes olhos conservadores. Sei! Muitos fazem o que bem querem, fazem de tudo por seus interesses, e têm um suporte cego de quem prefere (consciente ou inconscientemente) fingir que está tudo bem, que está tudo certo. E talvez esteja, mas apenas para alguns. E a cortina de fumaça parece mais de chumbo. Talvez seja.

Inclusive, ando achando muito engraçada essa questão de não se mostrarem os likes do Instagram, porque atingiu o calcanhar de Achilles narcísico de muita gente por aí. As fake news não são só coisa de política, não. Estão presentes em grande parte das postagens que você vê e curte. Os consultórios (e, por que, não, os cemitérios) estão cheios de pessoas que acham, mesmo, que a grama do vizinho é mais verde. Verdade e mentira vão convivendo de maneira tão próxima e sórdida que fica difícil julgar. Você vive enganado! Você tem pena de um cachorrinho que morreu no estacionamento do supermercado, mas não dá atenção a uma criança mal vestida que, olhe que absurdo, está na praça de alimentação do shopping, pedindo comida. Aliás, acha que essa criança não poderia ser adotada por um casal gay, prefere que ela passe fome.

Não sou santo. Não faço tudo certo. Aliás, felizmente, sempre haverá a falta. Busco manter certa coerência entre o que é meu e o que é do outro, e nos meus julgamentos (e não venha você, distinta/o senhor/a da sociedade pequeno-burguesa contemporânea, dizer que não julga porque você julga!), tento lembrar que é com o outro, e não comigo. Mas e se fosse comigo? Já parou pra pensar que essa pergunta nem deveria ser feita? Não tenho que me condoer com o outro pensando "e se fosse comigo", primeiro porque não é, e segundo porque, se for para julgar a partir de mim ou de você, perder-se-iam o contexto e a capacidade crítica, e seria hipotetizar demais a realidade, o que, de fato, não é, pois não é com você.

Se déssemos conta de prestar mais atenção a nossas próprias vidas, talvez pudesse ser menos pior. Se eu conseguir compreender que o mundo vai além do meu umbigo, já estou dando um grande passo. Se eu questionar meu próprio preconceito internalizado, talvez eu consiga enxergar o outro como ele é, simplesmente, o outro.

Então, se você chegou até aqui, e já que no Brasil os casos de racismo são raros, não existe fome, os índices são todos camuflados e a censura sequer se aproxima, bora pensar sobre o preconceito nosso de cada dia?


sábado, 20 de julho de 2019

Sobre a amizade


As efemérides fazem com que a gente pare pra pensar em algumas coisas. Quem me conhece sabe que não gosto de ano novo, acho muito curioso que as pessoas, só porque passaram de 31 de dezembro pra 1º de janeiro achem que tudo vai mudar. Na verdade, vivo provocando, desejando Feliz Ano Novo Chinês ou Judaico, pras pessoas pensarem que Ano Novo, ou qualquer atitude nossa, vai depender é de nós, e não da arbitrariedade que foi colocada na contagem do tempo. No entanto, o que se comemora é que precisa ser lembrado.

Então falemos de amizade, que é aquele amor escolhido, normalmente de modo inconsciente, e que se vai construindo com o passar do tempo. Já tive e tenho todo tipo de amigx, e de não amig@ também. E há várias considerações a se fazer; decidi falar de umas dez.
  1. O bom amigo está além do tempo. Há um episódio com um amigo, em que ficamos quatro anos sem nos vermos e, quando nos vimos, foi como se não tivesse havido esse tempo todo; as coisas verdadeiras não mudam.
  2. Um amigo não é melhor do que o outro. Uai, é óbvio, as pessoas são diferentes. Mas entendo que existam amigos que são melhores ou piores para dadas circunstâncias. Tem gente que só pioraria determinadas situações; então, por que não priorizar quem neste momento vai mais ajudar? Levar seu amigo veggie pra um churrasco não é prova de amizade coisa nenhuma.
  3. Você gosta mais dos amigos do trabalho. Claro que não! O aquilatamento, como dito no item anterior, não passa pelas mesmas questões. É muito mais fácil você sair do trabalho e esticar num boteco, tendo combinado ali na hora, do que ligar para todo mundo naquele dado momento e ver se a pessoa ainda vai tomar banho, arrumar, deslocar-se, etc., etc....
  4. Não há agenda pra amigo. Depende! Se você é uma pessoa com vários compromissos, é muito melhor agendar e conseguir fazer algo do que não fazer. Ah, tem que ser qualquer hora. Infelizmente, a vida não funciona só na base do querer. Feliz ou infelizmente, a gente ainda é único.
  5. Existe ex-amigo. Infelizmente, tem gente que aparece na sua vida pra subtrair. Já passei por isso. Gente que me explorava, mas cujo enredamento era tão perverso, que nem era possível sair das suas garras. Neste caso, felizmente, sequer tenho o desprazer de encontrar pela rua, mas desejo que seja feliz, porque ao menos não fica me mandando aquela energia negativa toda. Xô, Satanás!
  6. Polarização política. Nestes tempos sombrios em que estamos vivendo, tem sido complicado não tocar em determinados assuntos. Combinei com uma amiga que não falamos em política – ouço o que ela fala, e ela faz o mesmo comigo, que, aliás, nem gosto do assunto mesmo. No entanto, a paixão pela política é tanta e tem cegado tanta gente que, por vezes, é até melhor não se aproximar tanto pra evitar dissabores. Se você não consegue tolerar a opinião do outro, talvez seja melhor mesmo dar um tempo. Tenho, inclusive, evitado certos lugares por este motivo.
  7. O amigo que namora/casa.  Quem está namorando ou casando tem um(a) nova(o) melhor amiga(o). E isso causa ciúme. E se você não encaixar com o novo membro? E se o novo membro não se encaixar com seus amigos? Coração é terra de ninguém, e os acordos precisarão ser feitos. Participar tudo da sua vida íntima também não é necessário. O amigo respeitoso é aquele que sabe o limite do outro, principalmente quando o assunto é amor.
  8. Reciprocidade. Em amizade, ser recíproco não significa, de fato, fazer igual. As suas e as minhas necessidades são diferentes. Eu gosto de falar, e você, não; pra mim é importante contar os detalhes, e pra você o geral está mais do que suficiente; seu limite de paciência é muito menor do que o meu. E aí, continuamos amigos? Claro que sim. Caminho do meio, como sempre.
  9. Convivência facilita. Nem sempre! Ela pode dificultar, e muito, as coisas. Precisamos deixar a vida acontecer em seu próprio fluxo. O ponto ótimo talvez não seja nem no muito e nem no pouco, mas no que se vai estabelecendo entre as pessoas envolvidas.
  10. E o sincericídio? Pois bem, ser sincero parece ser sempre o melhor caminho. No entanto, tem coisa que não precisa ficar sendo (re)mexida o tempo todo, ou talvez o modo como essas coisas acontecem é que precisa ser visto. Mas, se você não gostou de algo, é melhor falar e ver a versão do outro, porque o ser humano fantasia mesmo e, por vezes, vai criando e crendo em sua própria fantasia.

Enfim, acho que falei um pouco da minha opinião sobre a amizade, neste dia dx amigx. Sinto saudade de muita gente, mas isso não impede que ainda haja lugar para eles em meu coração. Tem gente que vejo sempre, e que quero ver mais, outros talvez nem tanto.
Penso que, o que importa, de verdade, é que nós continuemos a nos suportar, nos dois principais sentidos que este verbo possa ter.
Feliz dia dx amigx!

domingo, 26 de abril de 2015

New York Review #4 – Encontros e Despedidas

Quando estou com muita coisa pra fazer (já não tive muita coisa pra fazer algum dia da vida?), vou arrumar algumas coisas e achei novamente este último post que já estava escrito para falar sobre NYC, com algumas historinhas. Então lá vamos!
  
Em busca do amor?
O francês apaixonado do aeroporto
No La Guardia, enquanto estava indo para North Carolina, encontrei este rapaz de olhos cinza que estava indo para Milwaukee. Muito simpático e dividindo a tomada (que aqui eles não entenderam que tem que haver tomada em todo lugar) do aeroporto, ele me contou que era francês e morava em NY havia 1 ano e meio. O mais interessante é que ele estava indo visitar sua noiva, eles tinham-se conhecido na Austrália quando faziam intercâmbio e começaram a namorar com ele morando em Paris e ela nos EUA, e agora estavam muito felizes porque estavam perto, e ela tinha passado pra faculdade em Washington, e seus olhos chegavam a brilhar quando falou disso, pois agora estarão a apenas algumas horas de distância... e não 10.000 miles apart... Ah, o amor!

Fazendo o bem
O cara do bem de Dubai
Conheci o Mark no spa e ficamos de conversê; aliás, um ótimo lugar para se conhecer pessoas e histórias. Cada um foi pro seu canto e depois, no meio da noite, acordei com alguém entrando no quarto compartilhado. Era um rapaz que eu já tinha visto no lounge e que parecia estar lá esperando alguém. Não, ele estava lá esperando a tempestade passar, mas a tempestade não passou, e o transporte público estava parado na cidade inteira. Mark o viu lá e ouviu sua história, e acabou pagando para o cara ficar no hotel e dormir confortavelmente, e o acompanhou ao quarto. Sim, Mark era rico (estava num quarto comum do hotel, com diária de US$300) e isso não lhe fazia diferença, mas ele não precisava fazer isso. É a tal história do fazer o bem. E se você está pensando que ele tinha outros interesses, eu não sei, até acho que não, mas, mesmo assim, achei digno de nota. E fiquei impressionado. Pena que não o vi no dia seguinte, pra saber mais a respeito do caso, mas sei que o rapaz dormiu feito pedra.

Viajando o mundo em uma semana
O parisiense que passou 1 semana entre Cingapura e New York

Como dessa vez resolvi ficar em um quarto compartilhado, encontrei pessoas do mundo inteiro. Um rapaz com cara de francês (e era francês mesmo), magro e alto, muito bem vestido, que não conversou durante os dias em que esteve lá, decidiu conversar quando estávamos indo embora. Não lembro seu nome agora, mas o fato mais interessante sobre ele foi que morava em Paris e estava viajando havia uma semana, mas sua viagem era uma pseudovolta ao mundo, em uma semana. Isso mesmo: ele foi de Paris para Cingapura, passou 3 dias lá, dando a volta pelo outro lado chegou a NY, onde ficou por mais 4 dias, e agora estava voltando para Paris. Ao ser perguntado por mim (e, segundo ele, por todas as outras pessoas) sobre o porquê de não tentar lugares mais próximos, ele me disse que o mundo era para ser vivido pelos sonhos, e ele sonhava conhecer estes dois lugares, e estava muito feliz com isso. Bem, detalhe: ele estava somente com uma malinha, quase que de bordo... morri de inveja! E olhem que sou do time do pack light, que leva pouca bagagem...

Uma vida feita de sonhos e de realidade
Tee, a garota do Malex
Essa negra tipicamente americana trabalhava no serviço de guarda-malas na Rua 46. Seu nome era mais complicado, mas ela, com um sorriso enorme, disse pra chamá-la pelo apelido, mesmo. Estive lá para obter maiores informações sobre preços e prazos e ficamos conversando por 1h! Falamos sobre tudo: o mundo, as diferenças entre EUA e Brasil, amor e relacionamentos, trabalho, enfim, foi um bate-papo muito gostoso, em que aprendi muito. No outro dia, fui deixar as malas e conversamos por mais meia hora. Foi muito agradável. E por que Tee me deixou uma marca? Justamente por ser uma pessoa normal, que paga suas contas, tem sua vida, procura um amor, ama-se e tem suas questões, mas que sonha com algo melhor para si, e vê sua realidade com muito bons olhos, e disse sempre aprender. Chegamos a lacrimejar enquanto falávamos de nossas vidas, nossas existências, e espero poder revê-la e contar que tudo o que não estava legal mudou, e ouvir o mesmo dela.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

New York Review #3 – Hanging around

Sale, clearance
Estas são as palavras de ordem para se achar barganhas em NYC. Existem os outlets que, neste caso, ficam fora da cidade, onde não fui desta vez. Eu me lembro de os preços não serem assim tão diferentes nas lojas, pois existem tanto as sessões de promoções quanto as lojas especializadas em dar descontos. E o detalhe é que, na maioria das vezes, as coisas em promoção estão mesmo com os preços mais baixos, e você pode até encontrar algo assim no meio das mercadorias. Aliás, a palavra não é liquidação ou promoção, a palavra é atenção, porque você tem que escarafunchar e comparar, e com muita atenção, além de um pouco de sorte também fazer parte do sistema. Sempre que eles têm apenas um ou pouquíssimos produtos, este(s) entra(m) em promoção.

Amazon.com
Primeiro consulte se o seu hotel recebe mercadorias, e aí você pode fazer compras na Amazon, a maior loja virtual do mundo que tem, com o perdão do trocadilho, virtualmente tudo. Por não ter loja física e funcionar através de fornecedores, você pode receber vários pacotes, dependendo do que tenha comprado, mas os prazos são respeitados e os preços muito bons. Existe também a possibilidade de se mandar para um local de coleta deles, mas nem todos os produtos podem ser enviados por este meio. Os preços são muito bons, e você consegue encontrar produtos que não encontra com facilidade nas lojas físicas.

Century 21
O templo dos brasileiros. Eles vendem roupa de design e acessórios, perfumes e make-up, com descontos enormes. Também tem coisa não tão barata pra nós, mas se conseguem ótimos preços. A loja da Cortland Street é maior, porém a que fica próxima ao Lincoln Center é mais vazia.

Duane Read, CVS, Rite Aid
Estas farmácias estão espalhadas por toda parte. Na verdade, vendem coisas além de medicamentos, sendo verdadeiros supermercados. Lembre-se de que não se vende medicamento específico sem prescrição, e até pra aferirem a pressão da gente tem burocracia. Mas você encontra muito bons preços pr'aqueles itens do dia-a-dia, e umas novidades inimagináveis para a sua saúde.

Macy's
Lá estava Mr Wu com duas sacolas grandes e lá veio o vendedor perguntando "Brasileiro?"... É, eles reconhecem a gente pelos volumes, e olhe que nem fiz compras desta vez. A Macy's tem de tudo e se autointitula a maior loja de departamentos do mundo, o que parece ser real. Vendem produtos das melhores marcas e também oferecem bons preços para as coisas médias; não comprei nada pra mim dessa vez, mas eles (acho que ainda oferecem) descontos para brasileiros e estrangeiros em geral, é só procurar o Visitors' Center no andar 1½ e pegar o seu cupom. W 34th Street.

Levi's
Pra gente que adora, e após experimentar direito porque corpo de americano é diferente do nosso, é sempre uma ótima pedida. Não gosto da loja de Times Square, prefiro a da W 34th Street, pertinho da Macy's e da Vicotria's Secrets, pois os atendentes são mais atenciosos e fica menos cheia. Tenho encontrado verdadeiras pechinchas e, como tenho dito, a ordem é escarafunchar. A parte de promoção fica ao fundo, e você tem que procurar seu tamanho (cintura X comprimento das pernas). É a 3ª ou 4ª vez em que, no meio de procurar e procurar, consigo valores baixíssimos (desta vez, US$12) pelos produtos que, via de regra, são os últimos.

H&M
Eles seriam nossa versão da C&A, Renner ou Riachuelo, e a diferença é que existem várias e os preços são bem legais, incluindo, novamente, as promoções das últimas pecas, com coleções bem modernosas. Vale a pena prestar atenção nas modelagens e padrões, que tem moooooooooita coisa de gosto bem duvidoso.

Perfumania
Eu tinha me esquecido deles; procurando por umas coisas mais específicas, deparei-me com esta também na W 34th Street. Especializados em perfume, como diz o nome, estavam com promoções simplesmente fantásticas, dependendo da fragrância que você quiser comprar. E vale lembrar que aqui eles não têm problema em você experimentar tantos perfumes quanto conseguir.

Best Buy
Sempre tem tudo em eletrônicos mais modernos, e o pessoal deles é superprestativo, e até se você não falar inglês (tem um brasileiro na loja da 44th St com a 5th Ave). Tenho que dizer que consegui preços melhores na Amazon ou mesmo em outras lojas físicas, mas sempre vale a pena fazer uma visita e ver como estão os preços.

Metrô
A dica para o metrô é pagar os US$30 do passe de 7 dias, se você vai passar de 3 dias pra frente, dependendo basicamente de como você pretende se locomover pela cidade, incluindo os ônibus, porque aí o seu uso é ilimitado durante este tempo – basta pensar se você pretende fazer mais de 10 trechos, o que sairia por US$25. O metrô te leva para tudo quanto é lugar da cidade, incluindo as conexões com as linhas de ônibus para os aeroportos (se você tiver pouca bagagem, claro), de maneira rápida e barata. Vale lembrar que, se você estiver em grupo, os táxis não costumam aceitar mais de 4 pessoas juntas.

Day-use cell phone
Sempre compro um chip (tenho usado da T-Mobile) quando chego aqui para poder usar o cellular livremente, sem precisar ficar procurando wi-fi. O plano de US$3 por dia permite não-sei-quantos-gigas e conexão 3G, o de US$2 tem conexão 2G e menos gigas. Faço o meu na BestBuy, porque aí já saio de lá falando.

Google & Google Maps
Companheiros inseparáveis – God save Google! Andar em NYC é muito fácil, mas saber qual é a melhor maneira de chegar a qualquer lugar é com o Google Maps, porque lhe dá todas as opções disponíveis, incluindo várias opções de acordo com o meio de transporte escolhido. O Google + ainda oferece sugestões de locais para comer e se divertir por perto de onde você estiver, bem como avisos meteorológicos e outras dicas.

Schwartz Travel Luggage Storage
34 W 46th Street, no 4º andar – cuidado com o povo que passer, dizendo que eles se mudaram, ou você pode perder sua bagagem. Cobram US$10 por volume deixado por dia. A vantagem é quando você tiver que fazer um trecho fora da cidade e o seu hotel não puder guardar sua bagagem. Muita gente também deixa enquanto passa o dia, fazendo stop-over ou pra não ter que ficar carregando peso mesmo; funciona das 8h às 22:45h e os funcionários são excelentes. Tem outra no 357 W 37th Street.

The Metropolitan Museum of Art
Recomendado para quem gosta e não gosta de arte, pois conta a história de muita coisa, inclusive da própria arte, com galerias divididas entre tempos e lugares, e com objetos que vão além da arte pura. Fica em uma das quebradas ao leste do Central Park, perto do Guggenheim e outros, na Museum Mile.

Bryant Park and The Empire State Building


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

New York Review #2 – Traveling
Engraçado como viajar pode funcionar diferente por aqui. Os aeroportos funcionam de modo diferente.
Por todas as questões desde os ataques terroristas, acho que a coisa ficou pior ainda com a segurança. Tem aquele aparelho de raio X que dá uma escaneada na gente... Não, garotos, não precisam se preocupar porque ele não mostra o tamanho de nada, caso você tenha algum problema. Mas o lance é tão preciso, que o protetor solar e a bala que estavam no meu bolso e eu me esqueci de tirar me renderam explicações necessárias. E você tem que tirar o computador, e o sapato, e o casaco, e realmente essa parte me cansa.
Outra coisa é que eles não ficam no lance de chamar a gente lá fora, passar antes se seu voo está partindo, essas coisas. De outra vez, perdemos o voo em Orlando exatamente por causa disso, pois estávamos realocando nossa bagagem, ao lado do balcão, e ninguém nos informou de que o tempo pro check-in (1h, e não meia) já havia passado – recomendo chegar cedo sempre!
Agora o mais engraçado e que eu não sei se me escapou da outra vez é a informalidade. Nestes voos internos que estou fazendo com a Delta, na hora de apresentar os avisos de segurança, as chefes de cabine falam algo do gênero "Eu e minha grande amiga Amy estaremos aqui para servi-los..." Grande amiga? É, eles são assim, acho deveras interessante.
Bagagens de mão serão despachadas no portão, e aí eles levam bagagens enormes como carry-on pra não ter que pagar, porque, yes, você normalmente paga tipo US$25 para cada mala despachada e com até 50 lb (nossos famosos 23kg). E nestes aviões pequenos regionais, é ainda pior, o espaço superpequeno. Não tenho muito problema porque sou daqueles que pack light.

E pra terminar, não fiz desta vez, mas as viagens de trens também requerem que você chegue antes, e como a gente fica meio perdido, às vezes vale a pena fazer o que recomendaram nestes aspectos. Aliás, dependendo da distância que você tiver que ir, o trem é mais interessante do que o aeroporto, principalmente em função da localização da estação, juntamente com questões de preço e bagagem. Acho que vale a pena. 

sábado, 31 de janeiro de 2015


New York Review #1 – Musicals

Fiz reviews sobre vários lugares que conheci, mas nunca da minha querida New York, a cidade fora do Brasil que mais visitei. Há várias coisas pra se dizer, inclusive dos encontros que a cidade proporciona, mas vou começar falando dos musicais, que estão na minha agenda de maratona desta vez, talvez um pouco inspirado no meu amigo Max Corvalán, argentino que conheci aqui ano passado, vendo Kinky Boots e estava fazendo isso, e pra responder a umas coisas que minha amiga Camila Sapori tinha pedido.
Antes de qualquer coisa, recomendo baixar o app da Tkts, porque facilita um pouco ter a ideia destes shows. A Tkts é um órgão do próprio pessoal de teatro daqui, e é onde você pode comprar ingressos mais baratos no dia da apresentação; o desconto varia de 30 a 50%, de verdade. Alguns musicais não entram nesta condição, porque estão cheios sempre, como foi o caso de The Book of Mormon e The Lion King, pros quais comprei ingresso na internet mesmo, ainda no Brasil. Este caso também é válido para quem quer ter certeza de que vai assistir a uma peça em específico, ou quer garantir o lugar na orchestra, por exemplo. Alguns espetáculos têm matiné, e dá pra assistir a dois no mesmo dia, como fiz no domingo e na terça.
Mas vamos lá. Um rápido comentário sobre cada história, na ordem em que assisti, e minha opinião a respeito. Ressalto: MINHA opinião, porque gosto é igual a cotovelo, não é verdade?!

MY BIG GAY ITALIAN WEDDING
Foi o primeiro Off-Broadway a q fui e, sim, é muito diferente. Teatro pequeno, poucos recursos, mas muito talento no palco. A história, que faz conjunto com MY BIG ITALIAN FUNERAL, conta a história de um cara que se casa com outro e as confusões de uma família italiana a respeito do casamento, não porque eles não aceitem sua orientação, mas porque são "um pouco" escandalosos e dramáticos – a questão gay não é o foco, o que acho muito legal e, eu diria, civilizado. Engraçada; recomendo a quem gosta do gênero. Ah, detalhe importante: ao fim da peça, o casal vem cumprimentar o público na saída, como se fossem os convidados da festa indo embora, e o noivo italiano me apresentou ao outro como sendo seu primo de longe, kkk... Nota 8.

LES MISÉRABILES (LES MIZ)
Para quem assistiu ao filme, é melhor ainda, claro. A história da revolução contada de uma maneira muito bem feita; na verdade, poucas vezes vi tanta conexão entre livro, filme e musical. Na verdade, não estava nos planos iniciais, mas estava com meus amigos Hanns e João, que queria realmente vê-la, e tinha preço legal na matiné. Dramático, claro; recomendo a todos. Nota 9.

THE LION KING
Duas pessoas acostumadas a musicais e peças, e de muito bom gosto, disseram que não gostaram. Fiquei intrigado, pois é um enorme sucesso, tanto que ano passado não consegui assistir e dessa vez comprei no Brasil para garantir, ainda que tenha pago US$99 e ficado encarapitado lá na última fila do mezanino. Gente, é simplesmente lindo, maravilhoso... mas acredito que você tenha que ter-se emocionado com o filme também pra sentir dessa forma. Um cenário lúdico que talvez nem fosse compreensível, mas é. Doses de bom humor (incluindo o Hakuna Matata misturado com o Let It Go de Frozen) e muita cor, coisa estilo Disney mesmo. A história é a que se sabe, da ascensão de Simba ao trono de rei dos animais, após a morte do seu pai, e diante das armações do seu tio Scar. Timão e Pumba presentes! Recomendo, para quem gosta de fantasia, desenhos e cores; chorei o tempo todo, linda! Nota 10.

KINKY BOOTS
Vim pra NYC pra assistir a essa peça de novo, basicamente. Tocou-me da outra vez, comprei o CD e sei as letras todas praticamente de cor – as pessoas ao meu lado até me perguntaram quantas vezes eu tinha visto e se surpreendiam quando eu dizia que era a segunda. A história se passa no interior da Inglaterra, e o herdeiro de uma fábrica falida de sapatos tem a ideia de achar um nicho de mercado com sapatos para drag queens. A peça é fantástica, o roteiro, o figurino, tudo, incluindo a mistura de drama e comédia, é atraente, quanto mais da 3ª fila, vendo os superperdigotos do Charlie voando enquanto cantava (talvez tenha cuspido, sim, no povo da 1ª fila, kkk). Lola é simplesmente fantástica. Salvo engano, melhor musical de 2013. Recomendo, nota 10, para todos os públicos. Dá pra ser nota 11??? Vou ver a 3ª vez, se der tempo.

THE BOOK OF MORMON
Musical do ano de 2014, até achei que não gostaria, inclusive no começo, mas é interessantíssima. No começo achei meio americana demais, mesmo, só que a história é tão bem contada que passa disso, por mais estereotípica que seja. Fala sobre mórmãos que vão evangelizar na África. Extremamente crítica, mas muito engraçada. Nota 10. Recomendo a quem não enfrente questões religiosas, com a sua ou com a dos outros.

HEDWIG AND THE ANGRY INCH
Não gostei. Não gosto de rock. A história que ela conta é boa, em si, mas é num esquema de "conto minha história enquanto em canto umas musiquinhas pra você". Acho que essa opinião é muito minha, pois foi altamente recomendada. O público estava overexcited, e não fui a peça alguma por aqui em que as pessoas estivessem fazendo tanto barulho, pro bem ou pro mal. Tinha até grades lá fora para a saída do ator principal (que nem quando vi Evita, com o Ricky Martin). Valeu por ser um musical, mas eu devia ter ido pro mezanino e gastado muito menos, ainda que  no Tkts, ou nem devia ter ido mesmo. Nota 5; não recomendo, mas quem gosta de rock ou conhece a história e é apaixonado por ela deve gostar, porque o público era muito esse.

Enfim, este breve (???) texto é sobre estes musicais, na humilde opinião de Mr Wu. Depois falo mais sobre outras coisas legais pra fazer por aqui.

Ósculos e amplexos!

domingo, 5 de outubro de 2014

Dica de português #6: Simples assim...


Homem diz OBRIGADO, mulher diz OBRIGADA; se há mais de uma pessoa agradecendo, OBRIGADOS ou OBRIGADAS... Li muitas coisas dizendo sobre a última parte, que não precisa pluralizar, mas é o que diz (dizia?) a norma culta, e acho mais lindo quando minhas alunas terminam uma apresentação com OBRIGADAS! 
Ah, e o uso do MUITO antes não influencia em nada, porque o advérbio não vai variar mesmo... só serve para intensificar: MUITO OBRIGADO, MUITO OBRIGADA, MUITO OBRIGADOS, MUITO OBRIGADAS...

Então, THANK YOU VERY MUCH, MUCHAS GRACIAS, GRAZZIE MILLE, MERCI BEAUCOUP, DANKE SCHÖN, VA MULTUMESC FOARTE MULT...

domingo, 14 de setembro de 2014

Dica de português #5: "Pérolas paroquiais"

Repostagem do blogue da professora Dad Squarisi, para o Correio Braziliense: simplesmente fantástico!


“Santa inocência, ingenuidade ou criatividade?”, pergunta Elimar Nascimento & cia religiosa. Frequentador da paróquia do bairro, ele anota avisos destinados aos fiéis. Volta e meia leva sustos. Às vezes, morre de rir. Outras, recorre à bola de cristal para adivinhar a mensagem. A razão: os textos são escritos com boa vontade e má redação. A boa vontade ninguém discute. Padres e paroquianos só querem fazer o bem.

Mas, como diz o povo sabido, “de boas intenções o inferno está assim, ó, pululando de moradores”. A redação joga em outro time. A gente pode criticá-la. E, sobretudo, melhorá-la. Quer ver? Eis alguns recadinhos expostos em murais. Primeiro, na versão original. Depois, na retocada. (O assunto já mereceu uma coluna. Volta, a pedido, ao cartaz.)

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Para todos os que tenham filhos e não o saibam, temos na paróquia uma área especial para crianças.
(Avisamos aos pais que a paróquia dispõe de área especial para crianças.)

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Quinta feira, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. As senhoras que desejem formar parte das mães devem dirigir-se ao escritório do pároco.
(Quinta-feira, às 5h da tarde, haverá reunião do grupo de mães no escritório do pároco.)

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Na sexta feira, às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra Hamlet , de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nessa tragédia.
(Na sexta-feira, às 7h, os meninos do Oratório representarão a tragédia Hamlet, de Shakespeare. Venha prestigiar a talentosa garotada.)

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Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa. Tragam seus maridos.
(Senhoras e senhores, não esqueçam a próxima venda beneficente. É boa ocasião pra se livrar das coisas inúteis que entulham sua casa.)

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Coro dos maiores de 60 anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.
(Coro dos maiores de 60 anos será suspenso durante o verão. Os paroquianos agradecem a alegria que proporcionou e esperam ansiosos o retorno das apresentações.)

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Lembrem em suas orações todos os desesperados e cansados da nossa paróquia.
(Lembrem, em suas orações, os desesperados e cansados
paroquianos.)

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O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.
(O mês de novembro será finalizado com uma missa cantada em louvor dos paroquianos que partiram na frente.)

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Por favor, coloquem suas esmolas no envelope junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados.
(Por favor, coloquem as esmolas no envelope. Escrevam o nome dos mortos a serem lembrados.)

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Quer mais? Eis três que dispensam comentários:
Venham nos aplaudir. Vamos derrotar o Cristo Rei.
O preço do curso sobre oração e jejum inclui as comidas.
Lembrem-se que quinta-feira começará a catequese para meninos e meninas de ambos sexos. 


sábado, 9 de agosto de 2014

Posts sobre português agora aqui no NONSENSE

#4. Seguindo o que já fazia anos atrás aqui no NONSENSE, e impulsionado por minha amiga Debbie, resolvi postar estas dicas (e aí entrarão outros tipos também) aqui no blog, pois fica mais fácil de encontrá-las. Portanto, após ter repostado as dicas anteriores desta temporada, segue uma dica tamanho gigante de português: o tal do MESMO.

Gente, usar O MESMO e flexões, na norma culta, não tem lugar. Os pronomes existem para fazer o que muita gente adora: usar O MESMO, achando que é chique! “Eu estava na casa de Worney e O MESMO me ofereceu champanha” (aportuguesado é assim mesmo). Então, eu gostaria de saber quem é esse tal de MESMO que oferecia coisas na minha casa!!! Ora, já que podia usar ELE, por que usar O MESMO, não é verdade? “Eu estava na casa de Worney e ELE me ofereceu champanha.”
Em SP, há uma lei que obriga o uso da placa que está abaixo nos elevadores... Entendo que ela seria grafada mais adequadamente assim: “Antes de entrar, verifique se o elevador encontra-se parado no andar.” Viram que nem ELE e nem O MESMO fizeram falta? Toda vez que entro em um elevador por lá, pergunto logo, “MESMO, você está aí?”, porque, pra mim, é uma entidade!



Agora, se quiserem usar o tal do MESMO para reforçar, conforme itálico acima, a coisa muda de figura. “Eu danço até o chão MESMO, disse a bailarina.” Ou então, podemos usá-lo em vários outros sentidos... Para saber mais, acho interessante consultar o “pai dos inteligentes”- tenho preferido o Aulete: http://www.aulete.com.br/mesmo.

Aliás, como estou MESMO com sede, acho que vou tomar uma taça de champanha. Champanha MESMO, Veuve Cliquot, aquele vinho espumante francês, e não sidra Cereser!!!